BC mantém Selic e vê estratégia como suficiente para meta / Veja o que dizem os analistas- Bloomberg 6/11

Por Felipe Saturnino, Barbara Nascimento e Josue Leonel

Veja o que dizem os analistas:

Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos

  • “Decisão de hoje está alinhada ao nosso cenário-base, segundo o qual a taxa Selic atingirá 12,00% no próximo ano, após seis cortes consecutivos de 0,50 pp a partir de março”
  • Dito isso, a política fiscal expansionista e as incertezas globais podem exercer pressões sobre a demanda doméstica, o déficit em conta corrente e a inflação ao longo de 2026, o que tende a limitar o espaço para o ciclo de corte de juros no próximo ano

Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs

  • “O Copom não está baixando a guarda no combate à inflação e também não está dando voltas da vitória porque as expectativas inflacionárias e as próprias projeções do BC melhoraram ligeiramente”
  • O Copom não está enfatizando exageradamente a moderação da atividade; mercado de trabalho permanece dinâmico”

Denis Ferrari, gestor na Kinea Investimentos

  • “Copom foi bem hawk, com um senão da projeção”
    • É determinante saber se a projeção de inflação já incluiu ou não ou o IR; “Se ele incorporou o IR, não é tão hawk”
    • “A outra possibilidade, dado que ele não falou nada do IR no comunicado, é ele ter subido o hiato ou o juro neutro. Descobriremos na ata”
  • “BC fechou totalmente a porta para corte em janeiro”
  • Trecho de que manutenção da taxa “é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta” dá uma abrandada no tom duro

Frederico Catalan, gestor de juros do Opportunity

  • “Achamos comunicado neutro. Projeção de inflação no horizonte relevante em linha com os 3,3% esperados. Faz algum reconhecimento sobre melhora na inflação, mas ao mesmo tempo mantém o bastante prolongado”
  • “Manutenção dessa linguagem me parece pouco compatível com início do ciclo em janeiro”
  • Deve levar a curva a desinclinar um pouco amanhã; taxa de 15% por mais tempo continua sendo um suporte para o real, “mas não espero grande movimento amanhã”

Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter

  • “No comunicado houve pouca mudança, com uma maior confiança na atual estratégia, mas mantendo o tom duro e indicando a manutenção da taxa no atual patamar por período bastante prolongado”
  • “O risco permanece sendo o impacto da expansão fiscal para o próximo ano, principalmente o reaquecimento da demanda doméstica com o aumento da isenção de IR a partir de janeiro, além de novas iniciativas de gastos fiscais devido ao ano eleitoral”

Rogerio Braga, sócio e gestor de fundos multimercados da Quantitas

  • “Comunicado não tem nenhuma sinalização de corte”
  • Duas alterações são importantes: reconhece que as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento; diz que avalia que a estratégia de manutenção é suficiente
  • “Os contratos mais curtos devem subir, mas a curva não deve ter tanta oscilação”

Julio Barros, economista do Banco Daycoval

  • Probabilidade do início do ciclo de cortes em janeiro passa a ser baixa
  • A dúvida sobre se a estratégia será suficiente para assegurar a convergência da inflação para a meta, deixou de existir

Gustavo Pessoa, sócio e gestor da Legacy Capital

  • “BC ganhou confiança no processo de melhora da inflação”
  • “Reconheceu melhora da inflação e que o patamar de juros é suficiente pra continuação do processo de ancoragem”
  • “Não fez sinal contundente de corte, mas reconheceu minimamente que as variáveis estão evoluindo satisfatoriamente”

Brendan McKenna, estrategista de câmbio do Wells Fargo

  • “Comunicado do Copom é bastante consistente com um Banco Central extremamente cauteloso e não disposto a afrouxar a política monetária enquanto persistirem os riscos externos”
  • Talvez o real se fortaleça conforme os DIs se ajustem em alta, mas impacto pode ser limitado pelos valuations e o posicionamento
  • Wells Fargo projeta corte de 0,25pp da Selic em janeiro, mas os riscos estão cada vez mais inclinados para um início mais tardio do ciclo de flexibilização