COPOM MANTÉM A TAXA SELIC EM 15,00% A.A.

Publicado 05/11/2025 às 18:35

Atualizado 05/11 às 18:35

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O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política
econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.
Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente
marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando,
conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade
econômica, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. Nas divulgações
mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum
arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus
permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,5% e 4,2%,
respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de
2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no
cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados
do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as
expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de
inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de
serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e
(iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto
inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio
persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma
eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a
projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração
global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de
maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos
desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas
comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal
doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a
postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado
por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na
atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a
convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas,
exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por
período bastante prolongado.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa
decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor
da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo
fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica
suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno
emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da
política monetária. O Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível
corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para
assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá
vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e
que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca
Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu
Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David,
Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

Tabela 1

Projeções de inflação no cenário de referência

Índice de preços 2025 2026 2º tri 2027 IPCA 4,6 3,6 3,3 IPCA livres 4,5 3,6 3,2
IPCA administrados 5,0 3,4 3,5

No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da
pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,40/US$, evoluindo segundo a
paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a
curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano
posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela"
em dezembro de 2025 e de 2026. O valor para o câmbio foi obtido pelo
procedimento usual.

Copom mantém a taxa Selic em 15,00% a.a.
[https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20912/nota]