‘Sou cético em acreditar que o País e o Congresso validariam um choque de ajuste fiscal’, diz Ceron / Secretário do Tesouro defende ajuste gradual para reequilibrar as contas públicas, mas diz que reforma da Previdência tem que ‘deixar de ser tabu’- Estadão 6/11
Por Alvaro Gribel
BRASÍLIA - O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, é cético em apostar em um choque de ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas depois das eleições do próximo ano. Ele avalia que a “vida real” das negociações com o Congresso — e do diálogo com a sociedade — é mais complexa do que querem crer economistas e investidores da Faria Lima.
Em entrevista exclusiva ao Estadão, para a série “Ajuste Fiscal: a encruzilhada do próximo governo”, Ceron defende que o melhor caminho é o ajuste gradual — o que, na visão dele, já vem sendo implementado pelo governo Lula.
“Tem gente que defende um megachoque, um grande ajuste imediato, mas sou cético em acreditar que o País suportaria ou validaria isso, que o Congresso Nacional que representa a sociedade validaria isso. Não consigo vislumbrar”, afirmou.
Ceron, por outro lado, reconhece que o governo precisa conter o crescimento das despesas obrigatórias, que está acima do teto de 2,5% ao ano do arcabouço fiscal. Mas não vê o ano de 2027 como um “encontro marcado” com o ajuste, caso contrário o País passará por uma forte crise de confiança.
Ele acha que a estratégia de “apertar parafusos” é mais eficaz do que o uso de “motosserras” para cortas despesas, e por isso fala em medidas constantes de ajuste, tanto pelo lado da receita, quanto pelo lado do gasto.
Mas reconhece que as reformas da Previdência precisam deixar de ser tabu no País, em função do envelhecimento da população.
Veja abaixo os principais pontos da entrevista.
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