Em decisão unânime, Copom mantém Selic em 15% / Banco Central ignora apelo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mantém discurso cauteloso e decide não cortar juros. Além disso, reforça, no comunicado, que poderá aumentar a taxa em caso de necessidade- Correiobraziliense 6/11

Rosana Hessel

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, preferiu ignorar o apelo do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para o corte de juros, feito na véspera e decidiu, ontem, manter a taxa básica da economia (Selic) em 15% ao ano — maior patamar em quase 20 anos —, pela terceira reunião seguida.

A decisão era esperada pelo mercado e foi unânime entre os nove diretores da autoridade monetária, dos quais a maioria (sete) foram indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No comunicado divulgado após o término da reunião, o Banco Central manteve o tom duro contra a inflação (hawkish), como nas reuniões anteriores, tanto que deixou a janela aberta para aumento de juros ao manter o trecho da nota em que afirma que poderá retomar o ciclo de aperto monetário, se for necessário.

"O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta", destacou o comunicado. "O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado", acrescentou a nota.

Com esse resultado, os juros básicos brasileiros, em termos reais (descontada a inflação), seguem na vice-liderança do ranking global, atrás apenas da Turquia, conforme levantamento da MoneYou e Lev Intelligence, que considera a inflação projetada para os próximos 12 meses. O juro real turco ficou em 17,80% ao ano e o brasileiro, em 9,74%. O terceiro lugar no pódio foi da Rússia, com taxa de 9,10% ao ano.

O Copom fez ajustes pequenos nas projeções para a inflação. Reduziu de 4,8% para 4,6% a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano e manteve em 3,6% a estimativa para 2026. No horizonte relevante monitorado pela autoridade monetária, que passou do primeiro trimestre para o segundo trimestre de 2027, a estimativa foi revisada de 3,4% para 3,3%. Além disso, o BC destacou, no comunicado, que o ambiente externo "ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais". E, em relação ao mercado doméstico, apesar de o crescimento da atividade econômica apresentar uma trajetória mais moderada, o Comitê destacou que "o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo", o que contribui para as pressões inflacionárias, especialmente no setor de serviços.

De acordo com analistas, o Banco Central manteve a essência dos comunicados anteriores e fez poucas mudanças no texto, confirmando que o Copom segue cauteloso na condução da política monetária, e, portanto, deverá demorar para iniciar o ciclo de queda de juros que é esperado pelo setor produtivo e pelo governo. Assim, conforme as projeções do mercado, a taxa Selic seguirá elevada no próximo ano e seguirá acima de dois dígitos até 2028.

"A decisão do Copom veio muito parecida com as anteriores. O BC manteve o mesmo tom relativamente duro, dando essa ideia de que, com esse comunicado, a Selic não cai neste ano, e só deverá começar a cair no início do ano que vem, porque o Copom tem que perseguir a manutenção da taxa de juros real elevada para a inflação convergir para o centro da meta, de 3%", avaliou Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, em entrevista ao Correio. Ele reconheceu que a economia está desacelerando, mas ainda vai levar um tempo, de fato, para ocorrer uma desaceleração mais efetiva na inflação e de serviços e no mercado de trabalho. Pelas estimativas de Vale, haverá espaço para o início da queda da taxa Selic no começo de 2026, mas os juros básicos não devem cair muito ao longo do ano, devendo encerrar dezembro em 13% anuais. "2026 é um ano eleitoral e como um ajuste, do ponto de vista fiscal, deverá ficar para o próximo governo, o BC vai ter um espaço menor para reduzir os juros, especialmente, porque a janela política será curta", explicou.

Na avaliação de Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, o Copom "fez questão de manter o tom duro no comunicado, a despeito de reconhecer melhorias recentes no cenário". "Podemos ver isso como 'um copo meio cheio, ou um copo meio vazio', mas o mercado deverá se ajustar para um 'copo meio vazio'", afirmou. Segundo Leal, no primeiro caso, a análise seria de que o BC não teria nada a ganhar ao baixar a guarda na comunicação em um momento em que está observando uma convergência das expectativas de inflação. Por outro lado, ao considerar o "copo meio vazio", o Copom "fez questão de manter intacta a parte do comunicado que atrai maior atenção do mercado, como um recado de que não se deve animar muito com o cenário atual, porque ainda temos um bom caminho a percorrer antes de pensar em reduzir os juros.

O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, considerou que, em linhas gerais, a decisão do Copom está alinhada o cenário-base projetado pela instituição, que prevê a Selic encerrando 2026 atingindo 12% ao ano, após seis cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual a partir de março. "Em nossa visão, as próximas leituras de inflação e atividade deverão convencer o Copom de que a política monetária restritiva está surtindo efeito. Assim, em 2026, não será necessário manter o mesmo grau de aperto vigente em 2025", afirmou . Contudo, Megale alertou que a política fiscal expansionista do governo e as incertezas globais "podem exercer pressões sobre a demanda doméstica, o deficit em conta corrente e a inflação ao longo de 2026, o que tende a limitar o espaço para o ciclo de corte de juros no próximo ano".

O economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Leal de Barros, considerou que o comunicado foi "bem escrito, com poucas mudanças e preservando o tom hawkish, pavimentando com luva de pelica o início do ciclo de corte". E, por conta disso, manteve a previsão de queda de 0,25 ponto percentual na Selic em janeiro. "Após a divulgação da ata, podemos reavaliar, as ao preservar o tom duro do comunicado e manter a política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado", bem como pela manutenção do trecho de que "os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado".

Críticas

Entidades do setor produtivo lamentaram a decisão do Copom. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que os juros altos travam o Brasil. "A decisão do Copom de manter a Selic em 15% ao ano é mais um duro golpe na economia e na competitividade da indústria brasileira", disse opresidente da CNI, Ricardo Alban, em nota. A Confederação Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por sua vez, fez um alerta de que "o prolongamento da taxa básica de juros em patamar elevado ameaça frear investimentos na construção, comprometendo novos lançamentos imobiliários e a geração de empregos".

"A construção é um dos setores mais sensíveis ao custo do crédito e à confiança do consumidor. Uma Selic de 15% por um ciclo longo traz desafios, porque o setor depende de financiamento de longo prazo, e esse custo torna muitos projetos inviáveis", disse o presidente da CBIC, Renato Correia. No fim de outubro, a entidade revisou de 2,3% para 1,3% a projeção de crescimento do setor devido ao ciclo prolongado de juros altos.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também criticou a decisão do BC, uma vez que considera que a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano "mantém o ambiente econômico brasileiro sob forte restrição, com efeitos negativos sobre a indústria". "Com a Selic elevada por mais tempo, as empresas terão mais dificuldade para financiar capital de giro e investir em novos projetos", afirmou Flávio Roscoe, presidente da entidade.

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2025/11/7286506-em-decisao-unanime-copom-mantem-selic-em-15.html

Alex Ribeiro - Análise: Mudança sutil no tom do Copom reacende apostas em corte da Selic / Comunicado reconhece progressos na queda da inflação subjacente e também a uma pequena melhoria na projeção de inflação para o horizonte relevante de política monetária- Valor 6/11

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a rigor, não prometeu nada nem deu qualquer sinal de quando poderá cortar os juros. Ainda assim, mudanças sutis no seu comunicado devem encorajar as apostas no mercado na queda dos juros.

Leia mais:

https://valor.globo.com/financas/noticia/2025/11/05/analise-mudanca-sutil-no-tom-do-copom-reacende-apostas-em-corte-da-selic.ghtml

Galípolo deixa decisão de queda dos juros para o ano eleitoral / Manutenção desagrada governo e deverá ter consequências na escolha de Lula para os dois novos diretores / Presidente do BC parece querer fazer todo o trabalho de ancoragem das expectativas de inflação enquanto a pressão política ainda está suportável- Adriana Fernandes – Folha SP 6/11

...Todos no governo esperavam um sinal de fumaça de que os juros poderiam começar a cair ainda neste ano após o ciclo de alta da Selic, que começou em março de 2022.

A pressão terá influência direta na indicação de Lula para substituir os diretores do BC (Diogo Guillen e Renato Gomes), que deixarão o cargo no fim deste ano. O grau de influência de Galípolo pode diminuir, como já comentam auxiliares do presidente Lula no Palácio do Planalto.

Leia mais:

https://folha.com/vpqj5s0i

Copom mantém Selic em 15%, e tom contraria expectativa de parte do mercado / Comunicado reforça tom de cautela, sem sinalizar cortes no curto prazo.- InfoMoney 5/11

Élida Oliveira

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% na reunião que terminou nesta quarta-feira (5), o que reforçou o tom de cautela, sem sinalizar cortes no curto prazo.

Esta é a terceira reunião sem cortes, desde que a Selic atingiu 15% em junho.

A expectativa de parte do mercado era de que o Banco Central ajustasse as expressões usadas nos últimos comunicados, abrindo espaço para uma maior flexibilidade na política monetária nas próximas reuniões.

Mas o comunicado trouxe poucas mudanças, na avaliação de Leonardo Costa, economista do ASA. “Lemos [o comunicado] como neutro/hawk. Houve pouca mudança, com pequena redução na projeção de inflação no seu horizonte relevante. O tom segue mais duro, contrariando a expectativa de parte do mercado”, afirma.

“O comunicado pode ser interpretado como ligeiramente hawkish pelo mercado, mas neutro em relação à visão majoritária dos economistas”, afirma Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. “A barra para cortes em janeiro ficou um pouco mais alta, mas ainda há tempo até lá”, diz.

Tom cauteloso

O Comitê reforçou o tom de cautela na condução da política monetária, e manteve o trecho em que cita a manutenção dos juros em patamar elevado por período prolongado: “Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.”

O mercado esperava uma sinalização mais suave sobre a política monetária. “Há um cenário de desinflação, melhora gradual da expectativa de inflação e um juro real ainda entre os mais altos do mundo – o que permitiria uma postura mais branda sem comprometer a credibilidade da política monetária”, avalia Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, destaca que a decisão foi unânime, como esperado, mas o tom surpreendeu. “Ele seguiu a mesma linha do último comunicado, só que como nós tínhamos uma expectativa que ele já sinalizaria uma possível mudança de rota no futuro, ele não fez isso. Então, no meu entendimento, ele manteve o tom duro da ata quando todo mundo já estava imaginando uma sinalização um pouco mais tranquila”, avalia.

Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, destaca, ainda, que o comunicado mantém a avaliação de cenário externo incerto, reforça a trajetória de moderação no crescimento econômico, como era esperado, e um mercado de trabalho dinâmico.

Inflação em queda

A novidade em relação ao comunicado anterior veio na comunicação sobre a inflação, destaca Bolzan.

“O Copom reconhece que a inflação está arrefecendo, o que é muito positivo, mas que ainda assim se mantém acima da meta. Foi um dos pequenos ajustes que foram feitos da última comunicação para essa”, analisa.

A Warren destaca que o horizonte relevante de política monetária foi deslocado do 1º para o 2º tri de 2027, e a projeção de inflação recuou de 3,4% para 3,3%, em linha com as expectativas de mercado. A projeção para os preços livres também diminuiu, de 3,3% para 3,2%, enquanto a de administrados passou de 3,8% para 3,5%. Os economistas da instituição, Luis Felipe Vital, Cecilia Mazzoni e Thais Borges, afirmam que o Comitê reforçou a redação de que entende que a manutenção da taxa no nível atual é suficiente para a assegurar a convergência à meta. “O ajuste na redação é compatível com o movimento feito na última ata, no qual sinalizou que esse é o nível terminal deste ciclo”, dizem.

“A projeção de inflação do BC para o prazo relevante da política monetária já está em 3,3%, bem próxima do centro da meta. Com a manutenção do atual cenário de câmbio favorável e desaceleração da atividade, a queda da inflação deve seguir consistente, ainda que lenta, observada tanto em bens como serviços”, afirma Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter.

Volnei Eyng, CEO da Multiplike, diz que a decisão reforça o compromisso com o controle da inflação, que segue próxima do teto da meta, e reflete preocupações com o cenário fiscal e a resiliência do mercado de trabalho. “Nesse momento, adiantar a redução da Selic, embora a inflação esteja se aproximando do teto da meta, levaria a uma redução da curva de juros curta, mas no médio e longo prazo essa curva de juros aumentaria”, analisa. Para ele, manter o remédio forte agora ajuda a reduzir o juro médio futuro.

Menor volatilidade

Para Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, o tom de cautela do comunicado reforça a avaliação de uma política monetária estável. “A manutenção dos juros reduz a volatilidade, permite planejamento e confirma que o Brasil atravessa o ciclo de aperto monetário com credibilidade intacta. A confiança institucional é o principal resultado desse equilíbrio”, diz.

Ciclo de cortes

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, afirma que a instituição mantém a projeção de início do ciclo em março e taxa terminal de 11,5%, com viés altista.

A GCB Investimentos projeta o início do ciclo de cortes da Selic em janeiro de 2026, com a taxa básica podendo encerrar o ano em 12,0% a.a., condicionada à reancoragem das expectativas e ao fortalecimento dos fundamentos fiscais e macroeconômicos, afirma Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB Investimentos.

Freio produtivo

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) afirmou que a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano freia a produção e enfraquece a indústria. “Com a Selic elevada por mais tempo, as empresas terão mais dificuldade para financiar capital de giro e investir em novos projetos”, alerta Flávio Roscoe, presidente da entidade.

Para Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a manutenção da Selic é um “duro golpe” na economia e na competitividade da indústria. Para Alban, com a expectativa de inflação nos próximos 12 meses de 4,06%, o juro real no ano fica acima de 10%, o que inibe o investimento produtivo, afeta o consumo das famílias e penaliza especialmente as camadas de menor renda.

Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, o setor de construção recebeu com preocupação a manutenção da taxa básica de juros em 15%. “O prolongamento ameaça frear investimentos na construção, comprometendo novos lançamentos imobiliários e a geração de empregos”, avalia. “Uma Selic de 15% por um ciclo longo traz desafios, porque o setor depende de financiamento de longo prazo, e esse custo torna muitos projetos inviáveis”, explica.

https://www.infomoney.com.br/economia/copom-mantem-selic-em-15-e-tom-contraria-expectativa/

CITI: COMUNICAÇÃO DO COPOM PRATICAMENTE INALTERADA FOI MAIS 'HAWKISH' DO QUE ESPERÁVAMOS- AE NEWS 5/11

Por Antonio Perez

São Paulo, 05/11/2025 - Com um tom praticamente sem alterações e mais duro que o esperado, o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) de hoje à noite, que trouxe a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, aponta para uma autoridade monetária "ainda mais comprometida" com objetivo de levar a inflação à meta de 3%, avalia o Citi

Em relatório, o banco destaca que o Copom não promoveu alterações em seu foward guidance ao repetir que a manutenção da taxa básica de juros no nível atual por "período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta".

"No geral, embora a previsão de inflação para o horizonte relevante tenha vindo em linha com nossa expectativa, a comunicação praticamente inalterada foi mais 'hawkish' do que esperávamos, aumentando as chances de que o primeiro corte de taxa de juros possa se materializar mais tarde do que estamos atualmente prevendo.", afirmam os economistas da instituição.

O Citi mantém a previsão de que o Copom inicie um ciclo de cortes da Selic em janeiro de 2026, mas reconhece que os "riscos são claramente assimétricos" em direção a um relaxamento monetário mais adiante. A instituição sustenta a aposta em redução do juro básico em janeiro na perspectiva de melhora das expectativas de inflação ao longo das próximas semanas.

O banco lembra que as expectativas sobre o comunicado, particularmente do ponto de vista do mercado local, giravam em torno de "qualquer indício de moderação do viés hawkish predominante". Para o Citi, houve uma ligeira mudança de redação em relação ao comunicado anterior no trecho que se refere ao "período bastante prolongado", o que revela o Copom mais confortável com sua estratégia. O banco alerta, contudo, que "o tom e a mensagem" do BC permaneceram inalterados.

"Isso deve ser positivo para o real e gerar algum ajuste na parte curta da curva de juros. Antes da reunião, a curva DI estava precificando cerca de 75% de chance de um corte de 25 pontos-base em janeiro", afirma o Citi, que vê o encontro de política monetária do Copom em dezembro como a "melhor oportunidade" para a adoção de foward guidance "ligeiramente menos restritivo".

BARCLAYS/SECEMSKI: COPOM NÃO TEM PRESSA EM SINALIZAR CORTE DA SELIC, QUE DEVE COMEÇAR EM MARÇO- AE NEWS 5/11

Por Arícia Martins

São Paulo, 05/11/2025 - O Comitê de Política Monetária (Copom) não tem pressa em sinalizar qualquer intenção de flexibilizar a política monetária no comunicado de hoje que acompanhou a decisão de manter a Selic em 15%, avalia Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays.

Em relatório divulgado há pouco, o economista afirma que a manutenção do tom 'hawkish' da instituição no texto já era esperada, mas a permanência da frase sobre não hesitar em voltar a um ciclo de elevação, se necessário, foi uma ligeira surpresa.

Ao mesmo tempo, nota Secemski, o colegiado não parece mais ter dúvidas sobre se a manutenção do juro básico no nível atual seria suficiente para a convergência da inflação à meta, e sinaliza ter maior convicção sobre esse ponto no documento.

"No geral, vemos a decisão e a declaração de hoje como amplamente neutras em relação às nossas expectativas e nossa previsão de um modesto ciclo de afrouxamento a ser iniciado em março", afirma o economista-chefe para Brasil da instituição.

No cenário-base do Barclays, mantido após a decisão desta quarta-feira, o primeiro corte da Selic será em março de 2026. O orçamento total de redução será de 2,25 pontos porcentuais, o que levaria o juro básico a 12,75% até o terceiro trimestre do próximo ano.

"Embora um corte em janeiro não possa ser descartado, particularmente se a apreciação do câmbio se intensificar adiante, acreditamos que isso também dependeria de sinais claros e incontestáveis de arrefecimento no mercado de trabalho e na inflação de serviços, o que não é nosso cenário-base", pontua Secemski.

GOLDMAN SACHS: COPOM MANTEVE TOM HAWKISH, COM APENAS LEVE MELHORA NAS PROJEÇÕES DE INFLAÇÃO- AE NEWS 5/11

Por Caroline Aragaki

São Paulo, 05/11/2025 - O Goldman Sachs afirma que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve o tom hawkish, com apenas uma leve melhora nas projeções de inflação.

Assim, o Copom continua sinalizando que permanece disposto a manter a Selic em "nível significativamente contracionista" por um "período bastante prolongado", afirma o diretor de pesquisa macroeconômica para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em relatório.

Para ele, a principal inovação é de que "o Copom agora julga e afirma explicitamente que manter a Selic no nível atual por um 'período bastante prolongado' será suficiente para garantir a convergência da inflação para a meta", enquanto, na reunião de setembro, ainda avaliava se conservar a Selic em 15% ao ano seria o suficiente para garantir a convergência.

Contudo, Ramos observa que o comitê reitera que permanecerá vigilante e "não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado", o que, em sua visão, "parece ligeiramente em desacordo com a avaliação de que manter a Selic no nível atual por um 'período muito prolongado' será suficiente para garantir a convergência da inflação para a meta".

BTG PACTUAL: COPOM PRESERVA TOM HAWKISH, COM AJUSTES MARGINAIS, EM LINHA COM ESPERADO- AE NEWS 5/11

Por Caroline Aragaki

São Paulo, 05/11/2025 - O BTG Pactual avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) preservou o tom hawkish no comunicado desta quarta-feira, com ajustes marginais, em linha com o esperado.

Segundo a casa, a comunicação do BC é consistente com o cenário base de flexibilização na taxa Selic em janeiro de 2026.

O BTG considera que o destaque do comunicado foi o Copom manter o advérbio "bastante" ao qualificar o "período prolongado", como antecipado pela casa, e adicionalmente preservar a referência de que "não hesitará em retomar o ciclo de ajuste".

O BTG diz ainda que o comitê ajustou o trecho do que já havia esclarecido após a reunião de setembro: avalia que a manutenção do nível corrente de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta.

"Na avaliação do cenário doméstico, o Copom apenas atualizou/reconheceu o que de fato ocorreu: o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade (antes, 'certa' moderação), mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo (sem alteração nesta leitura)", acrescenta.

BRADESCO: COPOM AVALIA QUE CENÁRIO ATUAL EXIGE CAUTELA; SELIC DEVE SER CORTADA A 11,75% EM 2026- AE NEWS 5/11

Por Arícia Martins

São Paulo, 05/11/2025 - No comunicado que acompanhou a decisão de hoje de manter a Selic em 15%, o Comitê de Política Monetária avalia que o cenário atual exige cautela, mas reconhece que o patamar atual de juros é suficiente para levar a inflação para ao redor da meta - desde que mantido por "período bastante prolongado", aponta o Bradesco em relatório divulgado há pouco.

Segundo a instituição, que não informa quando seria o primeiro corte da Selic, o juro básico será reduzido a 11,75% até o final de 2026. "O funcionamento da política monetária, com moderação do crescimento e da inflação devem abrir espaço para essa redução do aperto monetário", avalia o banco.

Na visão do Bradesco, houve poucas mudanças no comunicado em relação ao documento da reunião anterior, uma vez que, desde então, o cenário evoluiu conforme o previsto pelo colegiado.

"O Banco Central manteve a comunicação de que precisa manter a Selic em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado, em ambiente de expectativas de inflação desancoradas", aponta o relatório do Bradesco.

XP/RODOLFO MARGATO: COPOM RECONHECE MELHORA INFLACIONÁRIA, MAS COM 'BASTANTE CAUTELA'- AE NEWS 5/11

Por Luís Eduardo Leal

São Paulo, 05/11/2025 - A decisão e o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) vieram em linha com o esperado pela XP, aponta Rodolfo Margato, economista da instituição. "O Copom reconhece a melhora do cenário inflacionário, mas com bastante cautela, apesar do arrefecimento observado em leituras recentes da inflação cheia e de métricas subjacentes, que permanecem acima da meta", diz.

O economista destaca que o final do comunicado traz uma alteração que pode ser lida como "alguma" mudança em relação ao sinal para a política monetária. "Desta vez, o Copom avalia que a estratégia da manutenção do nível corrente é suficiente para atingir o objetivo", acrescenta.

Margato aponta também que a manutenção do trecho que se refere ao período 'bastante prolongado' [de manutenção da Selic a 15% ao ano] se materializou conforme a XP antecipava. "Nosso cenário-base se mantém, com primeiro corte da Selic em março de 2026", acrescenta o economista. A XP prevê que o ciclo de corte será de 300 pontos-base (pbs) na Selic, que passaria assim de 15% para 12% ao ano, com ajustes de meio ponto porcentual por reunião.

BC mantém juros em 15% e fala em ‘período bastante prolongado’: veja como analistas leram o comunicado / BC não sucumbiu aos apelos do governo pela redução e manteve valor da Selic pela terceira vez seguida, com a justificativa de “assegurar a convergência da inflação à meta”- O Globo 6/11

Por Thaís Barcellos, Paulo Renato Nepomuceno e Bloomberg News — Brasília e Rio

Apesar dos apelos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) seguiu o plano traçado em setembro e manteve ontem a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, pela terceira vez consecutiva. O nível, atingido em junho, é o maior desde julho de 2006. A decisão já era esperada de forma unânime no mercado financeiro.

No comunicado, o BC manteve a sinalização de que os juros devem permanecer neste patamar por “período bastante prolongado” para alcançar a meta de inflação de 3%. Mas, pela primeira vez, afirmou categoricamente considerar que o nível atual é suficiente para atingir esse objetivo.

Com isso, ganha força a expectativa do mercado financeiro de que o BC manterá a Selic em 15% em dezembro, a última reunião do ano, só iniciando os cortes em 2026, entre janeiro e março.

— O BC não quis passar nenhuma mensagem de quando começa a cortar, ou se está próximo, ainda fica muito em aberto — avaliou o superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú Unibanco, Fernando Gonçalves.

Leia mais:

https://oglobo.globo.com/economia/financas/noticia/2025/11/06/bc-mantem-juros-em-15percent-e-fala-em-periodo-bastante-prolongado-veja-como-analistas-leram-o-comunicado.ghtml

Padovani: comunicado mostra cenário em que BC só começaria a cortar juros em março – O Globo 5/11

Ana Carolina Diniz

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de forma unânime decidiu manter pela terceira vez consecutiva a Selic em 15% na penúltima reunião do ano. É o maior nível em 19 anos.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do BV, a leitura é de uma autoridade monetária ainda bastante dura, não apenas por manter a Selic no nível mais alto em 20 anos, mas também por não sinalizar mudanças de estratégia nos próximos meses.

- Isso é compatível com um cenário em que o BC só começaria a cortar juros em março do ano que vem.

Leia mais:

https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2025/11/padovani-comunicado-mostra-cenario-em-que-bc-so-comecaria-a-cortar-juros-em-marco.ghtml

Senado aprova projeto de isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000 / Medida também prevê desconto para quem ganha até R$ 7.350 por mês e cria imposto mínimo para alta renda / Promessa de campanha de Lula, proposta deve ser sancionada a tempo de valer para declaração do ano que vem- Folha SP 6/11

Thaísa Oliveira

A aprovação no Senado ocorreu de forma simbólica, sem a contagem de votos. Na Câmara dos Deputados, a votação foi unânime (com 493 votos a favor e nenhum contra), em meio à ofensiva deflagrada pelo governo nas redes sociais a favor da medida.

Leia mais:

https://folha.com/6i1evwo5

IR: Senado mantém prazo para isenção de dividendos e preocupa empresas / Especialistas acreditam que trecho é uma exigência que não condiz com a realidade contábil de muitas companhias- InfoMoney 5/11

Estadão Conteúdo

O Senado manteve no projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil um trecho visto com preocupação por empresas, uma vez que estabelece uma exigência que não condiz com a realidade contábil de muitas companhias, avaliam especialistas ouvidos pelo Estadão.

O projeto aprovado nesta quarta-feira, 5, pelos senadores estabelece que, a partir de janeiro de 2026, os dividendos, atualmente isentos, terão a incidência de uma alíquota fixa de 10% de IR quando o pagamento em um mês exceder R$ 50 mil por empresa, com tributaçao na fonte. Isso vale também para investidores não residentes no País.

O texto exige, porém, que a deliberação de lucros apurados em 2025 seja feita até 31 de dezembro do mesmo ano para que esses valores sejam isentos, ainda que sejam distribuídos nos anos seguintes (até 2028).

Esse ponto foi mantido pelos senadores e, na visão de especialistas ouvidos pela Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, poderá afetar o alcance da isenção para as empresas. Isso porque muitas companhias fecham sua contabilidade no ano seguinte à apuração dos lucros, já que todas as operações feitas em 2025 precisam ser processadas e registradas até o último dia do ano.

Havia uma emenda do senador Esperidião Amin (PP-SC) para mudar o texto, mas foi rejeitada pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) durante a tramitação na CAE, sob o argumento de que mudanças na proposição implicariam a necessidade de uma reanálise da Câmara.

A emenda buscava solucionar a questão impedindo a incidência da tributação sobre lucros e dividendos gerados, mas ainda não distribuídos. Na própria justificativa da emenda, o senador argumentou que o trecho poderia gerar “nocivos efeitos retroativos”, uma vez que as empresas não seriam capazes de cumprir totalmente as exigências.

Na votação em plenário, o líder do PL, Carlos Portinho (RJ), apresentou uma emenda de teor semelhante, mas acabou não prosperando.

O que dizem os especialistas

Para Ana Lucia Marra, sócia fundadora do Sanmahe Advogados, “é evidente a dificuldade, para não dizer impossibilidade, de cumprir com tal condição quanto aos resultados totais do ano-calendário de 2025”, diz. Ela argumenta que é uma exigência incompatível com a realidade da apuração dos resultados das empresas, gerando insegurança jurídica na implementação de medidas.

Além disso, ela menciona que o Código Civil e a Lei das Sociedade por Ações (Lei nº 6404/76) preveem a realização de assembleia de sócios para deliberar sobre as demonstrações financeiras e sobre os resultados dentro dos quatro meses seguintes ao término do exercício social. O que, para ela, não condiz com o texto do projeto aprovado.

Carlos Henrique de Oliveira, ex-presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e sócio do Mannrich Vasconcelos Advogados, diz que “se fosse possível que os lucros a serem distribuídos são os apurados no ano calendário 2025, sem a necessidade de determiná-los até 31 de dezembro, as empresas teriam o prazo legal até abril de 2026 para apurá-los”.

No mesmo sentido, Carlos Eduardo Orsolon, sócio da área tributário do Demarest afirma que “as empresas estão tentando entender como é que isso acontece para que elas tomem atitudes até 31 de dezembro, para não correr o risco desses lucros se sujeitarem às novas regras (serem tributados)”.

https://www.infomoney.com.br/economia/ir-senado-mantem-prazo-para-isencao-de-dividendos-e-preocupa-empresas/

Reforma do Imposto de Renda ajuda a impulsionar PIB, mas embute risco fiscal / Economistas estimam impacto positivo de 0,2 a 0,6 ponto percentual, a depender do que irá para consumo / Injeção de dinheiro não deve impedir desaceleração, e arrecadação do imposto mínimo pode frustar- Folha SP 5/11

Eduardo Cucolo

A reforma do Imposto de Renda aprovada no Congresso nesta quarta-feira (5) deve contribuir para um aumento de 0,2 a 0,6 ponto percentual do PIB (Produto Interno Bruto) no próximo ano, segundo projeções coletadas pela Folha. A mudança, no entanto, embute riscos fiscais para o cenário econômico de 2026.

A avaliação de economistas é que a redução do imposto para as pessoas de menor renda, entre os que declararam o IRPF neste ano, significa injeção de mais de R$ 30 bilhões para consumo e redução de endividamento. Pelo menos 15 milhões de brasileiros serão beneficiados.

A compensação via taxação das pessoas de alta renda, por outro lado, vai atingir cerca de 150 mil contribuintes que não devem reduzir seus gastos significativamente por causa disso. Essa arrecadação, no entanto, é incerta.

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https://folha.com/oqm4u3gb

Medidas que compensam isenção do IR até R$ 5 mil devem abrir corrida de empresas para distribuir lucros de 2025 / Para tributaristas, taxação de dividendos pode prejudicar atração de investidores internacionais- O Globo 6/11

Vinicius Neder

Tributaristas ouvidos pelo GLOBO observam que mudanças que atingem grandes companhias e investidores estrangeiros poderão ser foco de problemas, inclusive questionamentos junto ao Fisco e à Justiça. E, como as regras aprovadas ontem só passam a valer no ano que vem, pode haver uma antecipação de distribuição de lucros nas empresas.

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https://oglobo.globo.com/economia/imposto-de-renda/noticia/2025/11/06/medidas-que-compensam-isencao-do-ir-ate-r-5-mil-devem-abrir-corrida-de-empresas-para-distribuir-lucros-de-2025.ghtml

Projeto que eleva taxa sobre bets e fintechs deve ser votado na 2ª quinzena de novembro após pedido da Fazenda, diz Renan / Proposta prevê dobrar contribuição sobre a receita bruta das apostas on-line, de 12% para 24%- O Globo 5/11

Por Camila Turtelli e Bernardo Lima — Brasília

O projeto que aumenta a tributação sobre bets, fintechs e bancos deve ser votado apenas na segunda quinzena de novembro. A informação foi dada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), autor da proposta, após a aprovação no Senado da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Segundo Renan, o adiamento atende a um pedido do Ministério da Fazenda, que solicitou mais tempo para discutir os detalhes técnicos e políticos do texto.

— Bets não vai ser semana que vem, só na outra, porque a Fazenda pediu um tempo a mais para discutir — afirmou o senador, ao deixar o plenário.

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https://oglobo.globo.com/economia/imposto-de-renda/noticia/2025/11/05/projeto-que-eleva-taxa-sobre-bets-e-fintech-deve-ser-votado-na-2a-quinzena-de-novembro-apos-pedido-da-fazenda-diz-renan.ghtml

Gleisi defende projeto das ‘bets’ e diz que governo vê com simpatia proposta do Senado / Texto prevê arrecadação de cerca de R$ 18 bilhões nos próximos três anos- O Globo 5/11

Por Camila Turtelli e Bernardo Lima — Brasília

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira que o governo “tem muita simpatia” pelo projeto em discussão no Senado que eleva a tributação sobre bets, fintechs e bancos. A proposta, de autoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e relatada por Eduardo Braga (MDB-AM), é vista pelo Planalto como essencial para compensar a perda de arrecadação com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.

— Nós temos muita simpatia por esse projeto, achamos que é um bom projeto. Ele repõe na realidade o que tinha na nossa MP, vai um pouco além. Se for aprovado ou não no Senado, nós vamos fazer esforço para que seja aprovado na Câmara — afirmou Gleisi, no plenário do Senado, pouco antes da votação do projeto do IR.

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https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/11/05/gleisi-defende-projeto-das-bets-e-diz-que-governo-ve-com-simpatia-proposta-do-senado.ghtml

Câmara aprova projeto que restringe desapropriação de terras para reforma agrária / Texto limita mecanismo apenas a imóveis considerados improdutivos; projeto segue para o Senado / Critérios ambiental e trabalhista da função social da propriedade passariam a exigir condenação definitiva- Folha SP 6/11

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (5) um projeto que endurece as regras para desapropriação de propriedades rurais destinadas à reforma agrária. O texto, que segue para o Senado, limita o mecanismo apenas a imóveis considerados improdutivos e altera a forma de avaliação do cumprimento da chamada função social da propriedade.

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https://folha.com/z9i1d5po

Lula determina suspensão de bet da Caixa, e projeto pode ser cancelado / Estatal, que pagou R$ 30 mi por autorização, trabalha para reverter veto / Integrantes do governo falam em postura contraditória do governo caso projeto avance- Folha SP 5/11

Thaísa Oliveira / Victoria Azevedo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que a Caixa Econômica Federal suspenda o projeto de lançar uma bet própria e, segundo pessoas a par do tema, indicou que a iniciativa pode ser inclusive cancelada.

A informação sobre a ordem do presidente foi adiantada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha.

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https://folha.com/9iuta0vz

Estudo do BNDES sobre Angra 3 aponta custo maior da energia e mais R$ 23,9 bi para conclusão / Projeção de tarifa passou de R$ 653 por MWh para até R$ 817,27 com atraso do início da operação / Eletronuclear diz que valor será inferior ao das maiores das térmicas que operam no país- Folha SP 6/11

Rio de Janeiro | Reuters

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) atualizou os estudos para a conclusão da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro, elevando a projeção da tarifa para um intervalo de R$ 778,86 a R$ 817,27 por MWh, segundo comunicado da Eletronuclear divulgado nesta quarta-feira (5).

As projeções feitas em 2024 apontavam que o custo médio da energia seria de pouco mais de R$ 653 por MWh para a usina, cujas obras estão paralisadas há vários anos.

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https://folha.com/nt6d4ljw

Axia anuncia R$ 4,3 bi em dividendos e registra prejuízo no trimestre / Venda da fatia na Eletronuclear gerou despesa contábil de R$ 7 bi, sem impacto no caixa / Lucro ajustado caiu 68%, para R$ 2,2 bi, com efeito de remensuração regulatória- Folha SP 5/11

São Paulo | Reuters

A Axia Energia (ex-Eletrobras) divulgou nesta quarta-feira (5) a aprovação por seu conselho de administração de uma distribuição de R$ 4,3 bilhões de dividendos, sob a forma de dividendos intermediários, com a utilização de parte do saldo da reserva estatutária.

Nos resultados para o terceiro trimestre divulgados nesta quarta, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 5,45 bilhões, revertendo lucro apurado em igual período do ano passado, após contabilizar no resultado trimestral a venda de sua participação na Eletronuclear.

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https://folha.com/2iz14c3b

Instituto pede investigação contra Azul e Gol ao Ministério da Justiça / Entidade diz que acordo no processo de fusão, agora cancelado, levou à redução de rotas e alta de preços / Pacto no âmbito da fusão aconteceu em meio a um processo de recuperação judicial das companhias aéreas nos EUA, com previsão de descontinuação de voos- Folha SP 5/11

O IPSConsumo (Instituto de Pesquisa, Estudo da Sociedade e Consumo) protocolou nesta semana representação junto à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), órgão ligado ao Ministério da Justiça, pedindo instauração de investigação sobre o acordo de codeshare firmado entre a Azul e a Gol em maio de 2024 durante o processo de fusão das aéreas, que acabou sendo cancelado em setembro deste ano.

O instituto afirma que esse pacto entre a Azul e o grupo Abra, dono da Gol, que prevê o compartilhamento de voos, causou "graves violações" ao Código de Defesa do Consumidor (CDC).

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https://folha.com/bw6ohevg

Galípolo vai a comissão do Senado explicar acordo de R$ 300 mil com Campos Neto / Presidente da CAE, Renan Calheiros afirmou que o presidente do BC vai explicar um termo de compromisso firmado entre a instituição e o seu antecessor- O Globo 5/11

Por Bernardo Lima — Brasília

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, irá à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no próximo dia 25 para explicar um termo de compromisso firmado pela instituição com o ex-presidente da autoridade monetária Roberto Campos Neto.

A informação foi confirmada pelo presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Ela já tinha manifestado a vontade de convocar Galipolo para prestar esclarecimentos sobre o caso durante a sessão desta terça na CAE.

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https://oglobo.globo.com/economia/financas/noticia/2025/11/05/galipolo-vai-a-comissao-do-senado-explicar-acordo-de-r-300-mil-com-campos-neto.ghtml

Hugo Motta promete decisão sobre projeto que equipara facções ao terrorismo até sexta / No Fórum de Buenos Aires, presidente da Câmara disse que o Brasil virou “corredor de drogas” e defendeu que o tema da segurança não vire palanque político- InfoMoney – 5/11

Marina Verenicz

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quarta-feira (5) que a Casa deve divulgar até sexta-feira (7) sua decisão sobre os projetos que equiparam facções criminosas ao terrorismo. A declaração foi feita durante o Fórum de Buenos Aires, evento promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que reuniu autoridades da América Latina para discutir democracia e Estado de Direito.

“Até a próxima sexta-feira nós anunciaremos ao Brasil qual será a nossa decisão sobre o combate às facções criminosas, em especial os projetos que tratam da equiparação das facções ao terrorismo. Na próxima semana devemos enfrentar essa agenda”, afirmou Motta.

O deputado ressaltou que a segurança pública é uma das prioridades da Câmara e lembrou que, desde o início da atual legislatura, o Congresso aprovou mais de 40 propostas voltadas à área. “A segurança pública do Brasil não pode mais parar”, disse.

Motta também defendeu que o tema seja tratado de forma suprapartidária. “Vou pedir às lideranças que não se faça palanque político da segurança. Nosso dever é enfrentar esse problema com seriedade e união”, afirmou.

Em seu discurso, o presidente da Câmara classificou o Brasil como um “corredor de drogas” e cobrou protagonismo dos países do Mercosul no combate ao narcotráfico. “O Brasil, que não é um grande produtor de drogas, se tornou um grande corredor. Corredor de consumo e de exportação. Esse deve ser o debate que o Mercosul deve liderar”, disse.

Além da pauta da segurança, Motta destacou outros projetos em andamento, como o novo marco das concessões e parcerias público-privadas, a nova lei do licenciamento ambiental, a regulamentação da inteligência artificial, que deve ir ao plenário ainda este ano, e o projeto que trata da remuneração artística nas plataformas digitais.

O parlamentar também comentou o cenário político brasileiro e o clima de radicalização no Congresso. “A Câmara tem essa divisão muito latente no dia a dia. No segundo biênio dessa legislatura, a radicalização se torna ainda mais forte. Tenho procurado sair um pouco dessa polarização para que possamos tratar do Brasil real e fazer as mudanças esperadas de nós”, concluiu.

https://www.infomoney.com.br/politica/hugo-motta-promete-decisao-sobre-projeto-que-equipara-faccoes-ao-terrorismo-ate-sexta/

Para aliados, Lula mudou tom sobre operação no RJ por ter informações / Auxiliares e aliados de Lula acreditam que presidente mudou tom sobre operação no RJ após receber novas informações sobre o ocorrido- Metropoles 6/11

Igor Gadelha

Auxiliares e aliados de Lula avaliam que o presidente da República mudou o tom em relação à megaoperação policial que deixou mais de 100 mortos no Rio de Janeiro por ter novas informações sobre o ocorrido.

A mudança de tom ocorreu em entrevista a jornalistas estrangeiros na terça-feira (4/11), em Belém, quando Lula afirmou que houve “matança” na ação policial contra o Comando Vermelho na capital fluminense.

O mandatário brasileiro também defendeu que a Polícia Federal (PF) atue nas investigações das mortes da megaoperação da semana passada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio.

“Nós estamos tentando essa investigação. Nós, inclusive, estamos tentando ver se é possível os legistas da Polícia Federal participarem do processo de investigação da morte, como é que foi feito, porque tem muito discurso, tem muita coisa. As pessoas foram enterradas sem que houvesse a perícia de outro órgão. Então, nós estamos trabalhando nisso”, afirmou Lula.

Até então, Lula e o governo vinham adotando uma postura mais moderada sobre a operação, após pesquisas apontarem que a maioria da população, sobretudo a do Rio, apoiou a ação policial.

Na avaliação de ministros e assessores presidenciais, Lula teria mudado o tom após receber novas informações de inteligência sobre a operação, as quais, quando divulgadas, podem mudar a opinião pública.

https://www.metropoles.com/colunas/igor-gadelha/para-aliados-lula-mudou-tom-sobre-operacao-no-rj-por-ter-informacoes

Moraes determina investigação da PF sobre crime organizado no Rio de Janeiro / Ministro do Supremo ordenou apuração de conexões entre facções criminosas e poder público após operação policial com mais de 120 mortes- Infomoney – 5/11

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira que a Polícia Federal investigue a atuação do crime organizado no Rio de Janeiro, inclusive eventuais conexões com o poder público.

Segundo Moraes, é preciso apurar indícios concretos de crimes com repercussão interestadual e internacional que ‘exigem repressão uniforme’. Para ele, a PF deve promover a apuração ‘sem prejuízo da possibilidade de atuação conjunta aos órgãos e forças de segurança estaduais’.

O ministro do STF é relator da chamada ADPF das Favelas, um processo que visa supervisionar o trabalho da polícia nas comunidades e coibir eventuais excessos.

A decisão ocorre pouco mais de uma semana depois da mais letal operação policial do país, em que mais de 120 pessoas morreram na ação patrocinada pelas forças de segurança pública do Estado do Rio.

https://www.infomoney.com.br/politica/moraes-determina-investigacao-da-pf-sobre-crime-organizado-no-rio-de-janeiro/

Moraes avalia futuro de Bolsonaro e analisa ala da Papuda com presos vulneráveis e mais policiamento / Ministro vai decidir se ex-presidente fica preso em casa, na Papuda, na Polícia Federal ou no Exército / Chefe de gabinete de Moraes visitou Papuda para avaliar instalações- Folha SP 5/11

Cézar Feitoza

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou sua chefe de gabinete ao Complexo Penitenciário da Papuda para verificar as instalações do presídio em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode cumprir pena pela trama golpista.

A visita ocorreu na última semana, segundo informaram à Folha três pessoas ligadas ao sistema penitenciário de Brasília. A auxiliar de Moraes foi acompanhada pela juíza Leila Cury, titular da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.

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https://folha.com/ht1oyle4

Missão, partido do MBL, se opõe a Novo e bolsonarismo: 'Não somos a mesma direita dos caras' / Presidente da nova legenda, Renan Santos mira o eleitorado jovem e insatisfeito com o governo federal / Partido promete lançar candidatos à Presidência e em ao menos seis estados, além de deputados e senadores- Folha SP 6/11

Bruno Ribeiro

Com o registro aprovado pelo TSE nesta terça-feira (4), o Missão, partido ligado ao MBL, pretende lançar candidatura à Presidência, mira governos estaduais e rejeita alianças com o bolsonarismo e com o Novo, ampliando a disputa partidária pelo eleitor brasileiro de direita.

"[Os partidos da direita] estão sendo oposição ao governo Lula lutando pela anistia [a Bolsonaro]", disse à Folha Renan Santos, futuro presidente da sigla, ao comentar a aprovação do novo partido. Ele critica o que avalia como falta de propostas no campo ideológico. "Não somos a mesma direita que os caras."

https://folha.com/okid60lb

Novo partido quer disputar o Planalto e aposta nos ataques a Lula e ao bolsonarismo / Batizada de "Missão", a legenda deriva do MBL, movimento que ganhou fama nas jornadas de 2013 contra o governo da então presidente Dilma Rousseff- PlatoBr 5/11

Luciana Lima

O partido Missão teve sua criação aprovada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na última terça-feira, 4, e agora, como estratégia de crescimento, pretende lançar o máximo possível de candidaturas majoritárias nas eleições de 2026, incluindo nesse rol nomes à Presidência da República e aos governos dos estados.

O novo partido deriva do MBL (Movimento Brasil Livre), grupo que ganhou relevância nas jornadas de 2013 contra o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT). Dentro da estratégia de focar nas candidaturas majoritárias, o presidente da legenda, Renan Santos (SP), já se diz pré-candidato ao Palácio do Planalto, em uma chapa que ainda não tem forma e nem sinalização de composição com outras siglas.

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https://platobr.com.br/missao-quer-ter-candidato-a-presidencia-e-aposta-no-ataque-a-lula-e-ao-bolsonarismo